Corinthians e Ituano Vão Receber Valores da Venda de Martinelli ao Al-Hilal

Revisado por Bruno Teixeira
Resumo

Corinthians deve receber R$ 2 milhões e o Ituano quase R$ 49 milhões pela venda de Gabriel Martinelli ao Al-Hilal, via solidariedade da FIFA.

7 min de leitura

O Corinthians deve receber cerca de R$ 2 milhões pela transferência do atacante Gabriel Martinelli para o Al-Hilal, da Arábia Saudita, enquanto o Ituano, clube da Série C paulista onde o jogador iniciou a carreira, deve embolsar um valor muito maior, próximo de R$ 49 milhões, segundo reportagens do ge.globo.com e do Correio 24 Horas. Os dois pagamentos são resultado do mecanismo de solidariedade da FIFA, que garante uma fatia de transferências internacionais aos clubes que formaram o atleta entre os 12 e os 23 anos.

Martinelli, de 25 anos, deixou o Arsenal e assinou contrato com o Al-Hilal até 2030, em negócio anunciado pelo clube saudita em 3 de setembro de 2026, no valor de 70 milhões de euros — cerca de R$ 416 milhões na cotação da época, segundo o ge.globo.com. É esse valor de base que agora gera os repasses solidários aos clubes brasileiros que passaram pela formação do jogador antes de sua saída para a Europa, ainda quando adolescente.

Resposta direta: por que Corinthians e Ituano recebem dinheiro de uma venda do Arsenal?

Corinthians e Ituano recebem valores da transferência de Martinelli para o Al-Hilal porque o regulamento de transferências da FIFA prevê o chamado mecanismo de solidariedade: sempre que um jogador é negociado internacionalmente antes dos 23 anos de idade, 5% do valor da transação é distribuído entre os clubes que o formaram entre os 12 e os 23 anos, proporcionalmente ao tempo em que o atleta esteve registrado em cada um. Como Martinelli passou pelas categorias de base do Ituano antes de ser contratado pelo Corinthians, e de lá seguir para o Arsenal ainda jovem, ambos os clubes brasileiros têm direito a uma fração da venda ao clube saudita, mesmo décadas depois de o atacante ter deixado o país.

O que o Corinthians vai receber

Segundo o ge.globo.com, o Corinthians tem direito a 0,5% do valor da transferência de Martinelli, o que representa aproximadamente R$ 2 milhões. A reportagem, publicada em 18 de setembro de 2026 e atualizada em 23 de setembro, explica que esse percentual corresponde ao período em que o atacante esteve vinculado à base alvinegra antes de se transferir para o futebol inglês. O valor é modesto se comparado ao total da negociação, mas reforça um padrão recorrente no futebol brasileiro: clubes formadores continuam lucrando com jogadores muito depois de perdê-los para a Europa ou, agora, para o mercado saudita.

O caso também ilustra como o mercado europeu de transferências, que voltou a bater recordes na janela de 2026, gera efeitos financeiros indiretos, mas concretos, para clubes de menor porte no Brasil — mesmo quando não são mais donos dos direitos econômicos do atleta.

Ituano: o maior beneficiário do negócio

Quem sai mais beneficiado financeiramente é o Ituano, clube da Série C do Campeonato Brasileiro sediado em Itu, no interior de São Paulo, onde Martinelli deu os primeiros passos como jogador de futebol. De acordo com o Correio 24 Horas, o clube deve receber cerca de R$ 49 milhões — valor que, segundo o portal Mixvale, corresponde a aproximadamente 12% do total de 70 milhões de euros pagos pelo Al-Hilal, um percentual bem mais alto do que o repassado ao Corinthians, refletindo o tempo em que o jogador esteve registrado nas categorias de base do clube de Itu.

O Mixvale informou que o Ituano programou para 18 de setembro de 2026 a confirmação da chegada da primeira parcela desse montante. Já o Correio 24 Horas, em reportagem publicada em 21 de setembro, detalhou que o repasse ao clube paulista será feito em quatro etapas, com a maior parcela prevista para os próximos meses. Para um clube de Série C, uma quantia dessa magnitude — quase R$ 50 milhões — tem peso orçamentário muito maior do que teria para um time de primeira divisão, e deve ser direcionada, segundo dirigentes citados pela imprensa local, a investimentos na estrutura de formação do próprio clube.

A trajetória de Martinelli até a Arábia Saudita

Gabriel Martinelli iniciou a carreira nas categorias de base do Ituano antes de se transferir para o Corinthians, onde despontou no time profissional. Em 2019, ainda com 18 anos, foi contratado pelo Arsenal, clube inglês pelo qual disputou mais de 200 partidas e conquistou, entre outros títulos, uma Copa da Inglaterra. Ao longo de sete temporadas em Londres, tornou-se peça relevante do ataque dos Gunners e da Seleção Brasileira, disputando a Copa do Mundo de 2026.

A saída para o Al-Hilal, anunciada em 3 de setembro de 2026, foi descrita pelo ge.globo.com como a maior venda da história do Arsenal. O contrato assinado pelo atacante com o clube saudita tem validade até 2030. A operação também confirma a força financeira crescente dos clubes da Saudi Pro League, que nos últimos anos têm buscado sistematicamente jogadores de destaque do futebol europeu, incluindo diversos nomes ligados à Seleção Brasileira.

O caso de Martinelli soma-se a uma temporada de movimentação intensa no mercado envolvendo jogadores brasileiros e europeus, com clubes sauditas, ingleses e do Golfo disputando nomes de peso em valores cada vez mais altos.

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Como funciona o mecanismo de solidariedade da FIFA

O mecanismo de solidariedade foi criado pela FIFA para recompensar clubes formadores sempre que um atleta é transferido internacionalmente durante a vigência de um contrato firmado antes dos 23 anos. Na prática, 5% de cada transferência internacional é reservado para distribuição entre os clubes envolvidos na formação do jogador entre os 12 e os 23 anos de idade, com o percentual de cada clube calculado de acordo com o número de temporadas em que o atleta esteve registrado ali.

É esse regulamento que explica por que Corinthians e Ituano, times que Martinelli deixou ainda na adolescência, voltam a aparecer nas manchetes financeiras do futebol quase uma década depois, a partir de uma venda fechada entre Arsenal e Al-Hilal. Casos semelhantes já se repetiram no futebol brasileiro em outras negociações internacionais envolvendo ex-jogadores de base, mas o valor de 70 milhões de euros da transferência de Martinelli torna este um dos repasses mais expressivos dos últimos anos para clubes de menor porte do país.

ClubeValor estimado a receberFase de formação de Martinelli
Ituano (Série C)≈ R$ 49 milhõesCategorias de base iniciais
Corinthians≈ R$ 2 milhõesBase antes da ida ao Arsenal

Como sabemos: valores segundo reportagens do ge.globo.com (18 e 23 de setembro de 2026), Correio 24 Horas (21 de setembro de 2026) e Mixvale (19 de setembro de 2026), com base no mecanismo de solidariedade da FIFA e no valor de 70 milhões de euros informado pelo Al-Hilal na contratação de Martinelli.

O que observar a seguir

  • O repasse ao Ituano será feito em quatro parcelas, segundo o Correio 24 Horas, com a primeira etapa prevista para setembro de 2026.
  • O Corinthians ainda não detalhou publicamente como pretende usar o valor recebido.
  • A gestão do Ituano indicou que parte dos recursos pode ser direcionada à estrutura de formação do clube, embora o valor total ainda não tenha sido oficialmente confirmado pelo clube em nota própria.
  • O caso deve reabrir o debate sobre a dependência financeira de clubes menores brasileiros em relação a vendas de sucesso de ex-atletas da base.

Limitações desta reportagem: os valores citados são estimativas divulgadas pela imprensa brasileira com base no mecanismo de solidariedade da FIFA; nem Corinthians, Ituano, Arsenal ou Al-Hilal emitiram, até a publicação, comunicados oficiais detalhando os montantes exatos ou o cronograma completo dos repasses.

Sources

Photo: Bryan Berlin, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

📷 Créditos das imagens — Hero: Bryan Berlin · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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Tiago Almeida, LifeBogger author

Tiago Almeida

Olá! Sou Tiago Almeida e escrevo para os leitores de língua portuguesa da LifeBogger sobre a infância e a biografia dos jogadores de futebol. Dedico-me a investigar as origens, a família e os primeiros anos de carreira dos jogadores — as histórias que existem muito antes dos holofotes. É quase sempre no bairro que se encontra a explicação para o talento.

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